Foram 15 dias após o Otávio nascer que eu senti um aperto no estômago.
Eu estava amamentando o Otávio numa noite de sábado, quando me veio aquele incômodo. Sentia como se estivesse usando uma calça muito apertada. Imaginei que após amamentar eu ia tomar um banho e então tiraria aquela calça que me apertava.
Qual foi meu espanto quando ao tirar toda a roupa no banheiro o aperto continuava e cada vez mais forte. Comecei a me desesperar embaixo do chuveiro, pois me faltava o ar e a dor aumentava cada vez mais.
Como fiz uma cesárea, fiquei imaginando que haviam esquecido algo dentro de mim. Pedi ao meu marido, aos prantos, que me levasse ao pronto socorro, pois eu não estava conseguindo respirar.
Deixei meu Otávio com minha mãe e fui. Demorei umas 5 horas no pronto-socorro fazendo todos os exames para descobrir o que eu tinha. Eu tinha tanta dor que peguei o médico pelo colarinho e pedi a ele que me desse qualquer coisa que fizesse aquela dor, que não me deixava respirar, parar.
Nesse dia, por ter que ficar tanto tempo longe do Otávio, meu bebê teve que tomar NAN.
Fiquei muito triste com isso, e até pensei que seria a primeira e última vez, mas não foi assim.
Saí do hospital sabendo que tinha pedras na vesícula e que precisaria operar logo. Consultei um médico que me disse que por estar amamentando era melhor esperar meu filho completar 4 meses, pois ele tinha receio da cirurgia atrapalhar a amamentação.
Otavio estava com pouco mais de 1 mês e meio quando tive nova crise de dor, e infelizmente neste dia não tive como fugir de fazer uma cirurgia de emergência. Fiquei três dias no hospital, fiz uma cirurgia para retirar a vesícula seguida de uma endoscopia para retirar uma pedra que tinha saído da vesícula e estava em um canal do meu corpo.
Durante todo esse tempo o Otavio ficou tomando NAN, não havia dado tempo de eu fazer uma reserva de leite para dar a ele. Levei a bomba para o hospital para estimular os seios, mas com a cirurgia ficava difícil tirar leite nos intervalos certos, então eu tirava quando estava me sentindo bem o suficiente.
Mas foi após a endoscopia que ao voltar para o meu quarto, notei meus seios secos, pequenos, eles já não vazavam mais e nem ficavam duros de tanto leite, parecia que tinham voltado ao tamanho normal. Fiquei preocupada, mas dentre tantos problemas que eu estava enfrentando, deixei para cuidar desse assim que voltasse para casa.
Como eu estava no hospital, eu não quis que o Otavio fosse lá por medo de contaminação, fiquei três dias sem ver meu bebe a não ser por fotos da máquina digital que meu marido trazia para mim todos os dias.
Ao voltar para casa encarei meu pesadelo: Ainda com os três cortes da cirurgia, tentei amamentar o Otavio que chorou a bessa para pegar o peito, e mais ainda porque eu não tinha mais leite! Meu peito estava completamente seco.
Fiquei desesperada, e senti o peso de uma ameaça para uma segunda frustração.
O Otávio nasceu de cesárea pois estava pélvico e eu não tinha a menor condição de pagar um medico particular que topasse fazer o parto pélvico. Mesmo assim consegui que minha médica só fizesse a cesárea após começar o trabalho de parto. Essa foi minha primeira frustração: ter um parto cesárea. E agora podia ser que a amamentação no peito do Otavio ficasse reduzida a um mês e meio.
Liguei para a ginecologista e para a pediatra do Otavio e ambas me disseram para tomar Plasil, e lá fui eu, tomar plasil. Fazia o Otavio sugar meu peito antes e como não tinha leite eu enganava ele com um conta gotas com Nan para que ele sugasse e estimulasse os seios, depois dava NAN para ele que não podia ficar com fome. Durante dois dias e duas noites foi assim, mas eu não perdia as esperanças de voltar a produzir leite para meu filho. Qual foi minha surpresa quando na segunda mamada da madrugada do segundo dia, enquanto minha mãe preparava a mamadeira com NAN, o Otavio sugava meu seio, eu senti meus seios produzirem leite e meu filho sugou – eu chorei de emoção e agradeci a Deus por este milagre. Apesar da mamadeira estar pronta não foi preciso dar e daquela vez em diante meu filho parou de tomar NAN.
Fiquei tão feliz e achei que estava tudo terminado. Mas com 4 dias de alta voltei ao Pronto Socorro com dor e febre. Resultado: Eu estava com uma hemorragia no abdômen e com inicio de infecção, precisava ficar internada novamente. Cheguei a pensar que não viveria para ver meu filho crescer e fiquei com um medo enorme de morrer.
Me internei no dia em que meu filho completou 2 meses. Foi chorando que pedi que o Otavio viesse ao hospital, eu precisava vê-lo para poder ter forças de enfrentar tudo para poder cuidar dele. Chorei quando ele entrou no meu quarto e sorriu quando foi para o meu colo e mamou antes que eu começasse a tomar as medicações.
Quando ele foi embora, me colocaram o soro, e eu comecei a transfusão de sangue, pois estava com anemia grave e precisava estar bem para operar pela manha para sanar a hemorragia.
Passei uma madrugada sem dormir, pensando no que seria de mim, e pedindo a Deus mais um milagre para minha vida.
Meu marido me deixou sozinha por umas horas pela manhã para ir em casa ver o Otavio. E eu fiquei no quarto com meus pensamentos, as 8:30 da manhã entraram no meu quarto dois anjos: eram duas voluntárias do projeto “Pensamento Positivo”, elas perguntaram se podiam ficar comigo um tempo. Eu agradeci a elas e disse que eu realmente estava precisando de companhia. Elas me distraíram até as 9:00 quando me buscaram para a cirurgia.
Ao chegar no centro cirúrgico eu avisei que estava amamentando e que tivessem cuidado com a medicação para que meu seio não secasse de novo. Quando começaram a me dar a anestesia geral eu me concentrei em orações e pedi a Deus que tudo corresse bem, pois eu ainda queria ver meu filho e cuidar dele se meu Deus permitisse.
Saí da cirurgia com um dreno no abdômen. Fiquei três dias internada e então tive alta, mas o dreno foi comigo para casa. Fiquei mais dois dias com o dreno no abdômen em casa, e durante todo esse tempo não pude amamentar meu filho por causa do dreno. Eu tirava o leite com a bombinha, mas sentia que ele estava cada vez mais escasso. Voltei a tomar o plasil, o chá da mamãe da Weleda, e qualquer outra coisa que me dissessem que fazia dar leite. Sofria ao ver o Otavio mamar na mamadeira, mas dos males aquele era o menor, pois eu agradecia a Deus pela oportunidade de me deixar viver mais um pouco e se fosse esse o preço (deixar de amamentar) que eu e o Otavio tínhamos que pagar para que eu pudesse cuidar dele mais um pouco, eu ficava grata. Mas não ia desistir.
Assim que tirei o dreno, cheguei em casa e dei o peito para o Otavio que pegou meio desajeitado, mas pegou e lágrimas escorreram dos meus olhos quando ele sugou. Eu fiquei com ele no peito durante quase o dia todo, oferecia a todo momento e ele aceitava. E acordava de bom grado na madrugada para dar de mamar.
Hoje, fazem 15 dias que voltei a amamentar o Otávio. Graças a Deus estou conseguindo amamentar, minha produção de leite não voltou a ser a do inicio, quando eu ficava com os seios duros de leite, mas o Otavio fica satisfeito e esta engordando cerca de 25gramas por dia pela consulta que tivemos com a pediatra ontem (04/09).
Estou feliz por estar viva, sou grata a Deus por ter me concedido esse milagre, sou grata ao Otavio por não ter desistido de mamar no peito. Muita coisa mudou na minha cabeça depois dessa experiência. O fundamental foi não ter deixado de confiar em Deus e não ter perdido a fé.
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