O diabinho do complemento

Nosso primeiro depoimento é da nossa queridissima ANa Cris.
É para ler e se deliciar!!!
"A primeira filha começou com um complementozinho depois da mamada, quando eu
achava que ela não estava satisfeita. A pediatra jurou que isso não ia
atrapalhar a amamentação.
Com 2 meses de nascida ela já estava totalmente desmamada.
Frustrante.
Nasceu o segundo filho.
Um dia eu estava tão cansada, logo depois dele nascer, que dei o bendito
complemento.
Depois de 15 minutos ele vomitou tudo.
Parecia protesto!!!
Desse dia em diante eu não quis mais saber da maldita lata e joguei-a no
lixo.
Eu tenho uma relação bastante difícil com complementos...
A coisa com o meu segundo filho só funcionou no dia em que, sei lá porque cargas dágua, talvez pela desistência da primeira filha, eu decidi que tinha que funcionar e pronto. Eu me lembro do insight até hoje.
Eu estava tão frustrada com a primeira experiência, e aquela vomitada foi tão simbólica, que eu simplesmente decidi naquela hora que tinha que dar certo e pronto.
Eu (EU, POR FAVOR, EU, COMO MÃE, NÃO COMO EDUCADORA) vejo o complemento como um diabinho que fica tentando a gente o tempo todo por trás dos ombros.
- Dá só um pouquinho, só pra você descansar. Ele está com fome, você precisa
se recuperar do parto.. Dá no copinho que não faz mal. Dá no contagotas, o bebê não vai nem perceber.
Aprendi com uma amiga minha, que se trancou no quarto com o filho e falou: a gente vai se acertar com esse negócio ou você vai morrer de fome!!! E não é que eles se acertaram rapidinho??
Na minha experiência como mãe, a disponibilidade do complemento é igual à disponibilidade da anestesia no parto. Está tão fácil, tão fácil, que precisa muita força de vontade para resistir, muita firmesa de propósito. E esse não é o meu forte, basta ver o número de segundas feiras do ano em que começo minhas dietas e desisto nas segundas feiras após as 17h...
Só um aparte, meus dois filhos nasceram com um bom peso e nunca tiveram
problemas de ganhar peso abaixo do esperado. A Julia sempre foi mais
magrinha, o Henrique mais fofinho, mas ambos dentro das "tabelas do doutor".
Ana Cristina Duarte
Mãe, doula e amiga
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